Planeamento é imprescindível

Estratégia e Inovação: Quo vadis?

 

Por: André Caravela Machado (Vice-Presidente da Direção | CEO Empresa BTL)

É certo que as empresas crescem, maioritariamente, por terem uma veia inovadora no que fazem. Nos últimos anos, assistimos a uma particular evolução sobre o nascimento de laboratórios, aceleradores, hackatons, incubadoras e um infinito conjunto de programas de inovação para fomentar a pesquisa e o desenvolvimento de ideias disruptivas nas empresas.

Muitos desses esforços – e, na verdade, muito desse investimento – acabam por resultar numa mão cheia de nada. Ora, porque as equipas de algumas empresas que iniciaram o processo de inovação são ultrapassadas por start-ups; ora, porque os laboratórios, incubadoras e demais projetos encerram por não conseguirem alimentar a necessidade de crescimento para suportar os custos de contexto; ora, porque há vontade de inovar, mas não há tempo para o fazer; ora, porque, no mundo empresarial, hoje já é passado.

O nexo de causalidade para estes fracos resultados tem relacionada uma falta de ligação entre estratégia e inovação. Parece-me evidente, quanto a mim, que nenhuma inovação empresarial pode ter início se não existir um planeamento que ligue estratégia e inovação, acerca da previsibilidade e do caminho a seguir, que possibilite alcançar as metas definidas nesse plano. Assim, associar inovação e estratégia tornam-se fundamentais para adequar os resultados de crescimento.

Por seu turno, há diversas questões a serem levantadas: quais são as prioridades estratégicas da empresa? Qual o problema ou barreiras que queremos ultrapassar? Que soluções de curto prazo temos e que melhorias no médio-longo podem ser promovidas?

A visão a ter sobre o problema deve incidir sobre a forma apaixonada como o resolvemos, muitas vezes não pela melhor solução, mas pelo melhor caminho que nos leva ao crescimento estratégico, como muito bem fazem as empresas associadas da AECOA, em que qualquer problema ou oportunidade são olhadas como suficientemente importantes para as empresas na procura de soluções dos seus clientes.

Demasiadas empresas têm uma equipa de inovação autorizada a seguir a sua própria agenda, isolada do mundo, à parte do resto da empresa. Os resultados acabam por ser dececionantes com um brilhante excesso de ideias criativas, mas uma alta incapacidade de gerar um crescimento significativo, porque a raiz do problema está numa desconexão entre estratégia e inovação.

Destarte, resta dizer que não há bolas de cristal para a inovação: não se consegue prever o sucesso de um investimento em inovação nem tampouco perceber se as iniciativas, estudos e desenvolvimentos vão resultar com sucesso. Porém, é essencial planear o caminho tendo por base uma estratégia que nos leve às respostas dos problemas.

Por fim, deixo a pergunta: qual o plano que temos para caminharmos de forma estratégica e inovadora?

 

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