Alguns conselhos práticos para investir em Marrocos

Se está interessado em internacionalizar-se e uma das suas apostas é Marrocos, não deixe de seguir as sugestões que José Maria Teixeira e Norberto Rodrigues, respetivamente presidente e membro do Conselho de Administração da Câmara do Comércio, Indústria e Serviços de Portugal em Marrocos (CCISPM), trouxeram, no passado dia 21 de novembro, ao seminário organizado pela Associação Empresarial do Concelho de Oliveira de Azeméis (AECOA).

Neste contexto, importa realizar uma “análise prévia ao mercado, visitas de prospeção, seleção de clientes/parceiros de negócio”, nomeadamente com a participação em feiras e missões empresariais, e convidar decisores marroquinos a visitarem Portugal. Estimar o “relacionamento pessoal”, “ter paciência” e “persistir”, tendo sempre presente a “excelente capacidade de negociação dos marroquinos” são outros aspetos a considerar. “Valorizar a comunicação escrita para evitar más interpretações” e “criar uma empresa local ou ter parceiro em Marrocos” são imprescindíveis, assim como “racionalizar a logística e o transporte”, e definir previamente “o modelo de negócio a desenvolver – pagamento do IVA no desalfandegamento”. Apostar na qualidade e design dos produtos destinados à população com maior poder de compra e respeitar a cultura e a religião desse povo são outros cuidados a ter, de acordo com a opinião destes players internacionais.

Mesa que presidiu o seminário ‘Marrocos, uma oportunidade para a fileira Home&Office’.

Alertas aos investidores

Para se ‘abrir a porta’ de acesso ao Norte de África, importa ter em atenção que o ‘mar’ que separa Marrocos de Portugal não é ‘só rosas’. A concorrência crescente de “empresas europeias, turcas e asiáticas”, aliada à “preferência marroquina [15%] que penaliza as empresas estrangeiras nos concursos públicos” são também barreiras. Mas não únicas. Há que ter em conta “grandes obstáculos ao financiamento de operações no mercado local com contragarantias de bancos de primeira linha”. Dificuldades de comunicação relacionadas com a Língua e na obtenção de “informação fidedigna” sobre os parceiros locais podem igualmente constituir algumas complicações. A informação sobre este mercado não abunda e há um desconhecimento da sua cultura de negócios e respetivas especificidades.  O contrário também se verifica, ou seja, a oferta portuguesa de bens e serviços é desconhecida em Marrocos, conjugada com um défice de imagem.

Por outro lado, regista-se regularmente o “desrespeito dos compromissos e anulações de programas e contatos à última hora”, sendo igualmente imprevisível o ambiente de negócios neste país do Norte de África. “Apesar do reforço gradual do conjunto de leis e regulamentações, é também verdade que a aplicação destas leis a nível local continua a não ser uniforme, deixando espaço para interpretações divergentes”, alerta o presidente da CCISPM. “A relativa falta de transparência e opacidade de procedimentos ao nível da administração pública” é outro entrave com que o investidor pode deparar-se.

‘Marrocos, uma oportunidade para a fileira Home&Office’ foi a temática deste seminário de disseminação do projeto ‘Qualifica & Compete – Qualificação para a Indústria Home & Office’, cuja copromoção é da AECOA e da AEA.

 

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